Afonso Licks: De acidente ao jornalismo

Atropelamento na infância fez comunicador sair do Interior para Porto Alegre, onde seguiu na carreira de jornalista, escritor e advogado

Perfil de Afonso Licks publicado no site Coletiva.Net

https://coletiva.net/perfil-/afonso-licks-de-acidente-ao-jornalismo,232666.jhtml

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Aos seis anos de idade, Afonso Licks mal sabia que um incidente de carro iria torná-lo o homem que é. Naquela época, ao ser atropelado por um veículo desgovernado, deixou a pacata vida no Interior, onde adorava mergulhar no rio Caí, para tornar-se um ativista estudantil do Colégio Júlio de Castilhos, o famoso Julinho, em Porto Alegre.

 Acostumado a ir de trem para Porto Alegre, tornou-se morador da Capital quando criança, após machucar o joelho e o pé no acidente. Sem frequentar a escola na cidade natal, recorda que não conseguia mais se encaixar entre os amigos e percebeu que não pertencia mais àquele lugar. Já no Julinho, após participar de um levante contra o uso do uniforme, e da criação de um jornal que questionava alguns métodos da instituição de ensino, foi convidado a se retirar. Detalhe: estava a um passo de se formar.

“Sou um de sete.” É assim que o montenegrino, filho de Otto e de Irma, denomina-se. Irmão de Augusto Licks, ex-integrante da banda Engenheiros do Hawaii, brinca: “ele que é meu irmão, pois eu vim primeiro”. Hoje, a casa em que viviam não existe mais, pois fora desmanchada no início do ano pelos novos moradores. Contudo, as memórias do local, no centro de Montenegro, permanecem no sorriso de quem relembra a infância.

 

A importância dos jornalistas

Quem hoje olha o senhor de terno sentado à frente de um computador não imagina que o mesmo já dormira em redes de barcos e se considerava um hippie em uma Garopaba ainda a não popular. Com o pensamento de viver intensamente e desejar diversão, após concluir o ensino médio, ingressou na Ufrgs com o intuito de cursar Música ou Direção de Arte. Foi, até mesmo, convidado para estudar Educação Física. Mas foi com os jornalistas que encontrou sua turma, como o amigo Fernando Goulart, que faleceu em novembro deste ano.

 Após entrar para a equipe da Rádio da Universidade, com o também falecido Carlos Urbim e Iara Bendati, não parou mais. Teve passagens por A Folha do Amanhã, a qual chama de “grande escola”; pela Central de Notícias, com Antônio Britto; e na extinta Caldas Júnior, no qual criou o Caderno de Esportes do Correio do Povo. Ainda, passou pela Gaúcha e acumulou atividades em O Estadão, O Globo e na revista Manchete, tudo ao mesmo tempo. O SBT e outros trabalhos, como colunas e a edição da revista Voto ainda constam em seu currículo.

Dos fatos curiosos, Licks relembra o tempo em que trabalhava no O Globo e tinha contato quase diário com o dono, Roberto Marinho. O repórter atendia às ligações do chefe todos os finais de semana para saber o desempenho dos cavalos que possuía nas corridas realizadas na Hípica de Porto Alegre. Conta que uma vez atrasou e ele ligou perguntando o que havia acontecido. “Eu tinha pego uma carona com o pessoal da TV Globo e ele falou: ‘a TV é concorrente do jornal. Pegue um táxi'”.

A política estava no caminho

Inquieto, diz que prima pela mudança e foi com ela que, após passar por rádio, TV e impresso, ingressou no meio político a convite de Ibsen Pinheiro, atual deputado do PMDB. Além da atuação no período da Constituinte, esteve ao lado dele depois do Impeachment do ex-presidente Fernando Collor. E como estava próximo do político quando ele foi cassado, também foi alvo de investigação.

Do período que considera conturbado, Licks relembra que sentiu vontade de cursar Direito e, desde então, trabalha com pro bono, nome dado aos casos cíveis voluntário. Ainda enquanto advogado, foi membro da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara de Vereadores da Capital, convite que surgiu com o retorno de Ibsen à política.

Foi em uma mesa de bar, acompanhada de um chopp que ele solucionou uma crise do governo Rigotto. A consultoria dada ao amigo Ibsen lhe rendeu o cargo de chefe da Comunicação do governo gaúcho, em 2003, tornando-se o primeiro nesta posição.

Além dos cargos e casos, a política também lhe rendeu uma segunda esposa. A advogada Josete Mirapalheta, que também atuava com campanhas políticas, tornou-se sua companheira na estruturação e realização das ações no que se referia à comunicação.

Luta diária

“Essas coisas são como o oxigênio: estão no ar e tu não percebes até que te faltem”, opina Licks, que também é secretário-geral do Movimento de Justiça e Direitos Humanos. Além de fazer parte do projeto Marcas da Memória, que coloca placas em locais que serviram de tortura durante a ditadura militar, atuou em processos de anistia. Este desdobramento da vida não é mero acaso: o irmão José Rogério foi banido do Brasil e vive até hoje na Alemanha. “A arma dele era um violão”, revela. Nas horas vagas, é relator do Prêmio de Jornalismo dos Direitos Humanos

Ler é o que faz quando não está na assessoria de comunicação do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), onde atua desde 2012. Dos livros favoritos cita A Montanha Mágica, de Thomas Mann; e Memórias de Adriano, de Marguerite Yourcenar. No ramo da literatura, é leitor e escritor. A obra intitulada Octavio, o Civil dos 18 do Forte de Copacabana, embora seja fictício, traz como mote a história do único homem que não era militar na Revolta do Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro. O personagem o permitiu ressaltar a tragédia que foi a passagem de um governo monárquico para um republicano.

Outras duas produções sobre a história dos ingleses em Santa Catarina e de como mudou a geografia do Rio Grande do Sul no extremo do continente ainda estão nos planos em seus planos. Ele revela, ainda, que só se sentirá realizado quando conseguir destinar tempo para concretizar tais projetos.

Pé na estrada

Licks é o maior incentivador do único filho, Alonso, fruto do primeiro casamento, do qual prefere não entrar em detalhes. Enquanto o herdeiro mora na Nova Zelândia, ele aproveita para viajar, atividade que o fascina tanto, que seu projeto de vida é voltar a Roma, “onde, a cada passo, esbarramos em uma parte da história”. A capital francesa é o lugar no qual moraria, graças a um amigo que reside a uma quadra da Ópera de Paris.

Em uma Garopaga agora mais movimentada, possui um veleiro, com o qual realizada a paixão de sair ao mar e sentir o vento. Mas as estradas também captam sua atenção, uma vez que já teve uma Honda Falcon e, hoje, pilota uma motoneta pelas ruas da cidade.

Aventureiro em terra e mar, em casa é que encontra calmaria. Nas noites de sexta-feira costuma escutar jazz e, aos sábados e domingos, é a música clássica que embala a trilha sonora. Quando está com a cabeça cheia, a saída é ir para a cozinha fazer o seu prato favorito: atum no azeite quente. Para completar, ainda é fotógrafo, atividade por meio da qual consegue se expressar. “Tenho essa necessidade tanto através da fala, da escrita e da arte.”

Por Patrícia Lapuente

 

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Primeira gravação em estúdio

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Foi no estúdio ISAEC em Porto Alegre que Augusto conheceu o cantor Sabino Loguercio. Por volta dos 2min30 podemos ouvir o primeiro solo gravado num estúdio profissional.  Mais detalhes dessa experiência musical e muitas outras histórias serão detalhadas na biografia sobre a trajetória do Augustinho que eu e Fabricio Mazocco estamos escrevendo. Mais novidades em breve.

Recital de José Rogério Licks

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Andando pelo mundo José Rogério criou seu estilo inconfundível, onde confluem raízes brasileiras, jazz e música européia. Na Alemanha, onde gravou 12 discos próprios (além de inúmeras participações, como a “Bachiana N° 5” de H. Villa-Lobos em 1985), ganhou o título de Mago do Som Poético da crítica musical.

Compôs o balé “Vom Wasser zum Land” no festival ecológico nas margens do rio Reno. Participou com seu quarteto do “Begegnung mit Brasilien”, festival de arte brasileira que contou com João Ubaldo Ribeiro, Hermeto Paschoal e Djavan.

Em Paris tocou no “Theatre du Soleil”, com o grupo El Aleph. Fez a música para as leituras dos escritores brasileiros na Feira do Livro de Frankfurt, em cadeia nacional da TV alemã.

Ponto alto do seu trabalho são suas obras para violão e orquestra, baseadas em poemas de Mario Quintana, gravadas no CD “Fios de Vida” e executadas com a Orquestra de Câmara Theatro São Pedro.

Serviço:

Data: 30 de março

Horário: 12:30 h

Local: Teatro São Pedro em Porto Alegre

De Belém para São Paulo

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Texto do Marcel Souza, que veio de Belém do Pará para participar do “Quarto para o Mundo”

“Nem nos meus melhores sonhos poderia imaginar um dia conhecer pessoalmente o Augusto Licks, então o que dizer de passar a tarde e parte da noite com a maior referência do rock nacional enquanto guitarrista. O Augusto Licks me inspirou a querer tocar violão e guitarra quando assisti o show exibido na televisão em 1991. Que inspiração ao ver tocar com maestria os solos de Muros e Grades, Exercito e Era um Garoto. Perturbei minha mãe para comprar um violão e assim começou minha jornada como músico amador. Boa parte de minha vida as músicas dos Enghaw me acompanham como inspiração nos momentos bons e de superação nos momentos ruins. Querer tocar todas as músicas era quase que uma rotina diária e tenho pena dos vizinhos ehehehehe. No meu casamento adivinha? Teve uma palhinha com as músicas dos Enghaw. As fotos mostram o quanto sou fã desse cara. Quero agradecer a Roma por proporcionar este momento muito especial em minha vida e posso afirmar que foi um dos momentos mais felizes. Augusto Licks…que honra em saber que es uma pessoa diferenciada, o meu muito obrigado por compartilhar seu conhecimento e experiência da vida.”

Citação

Workshop em SP com Augusto Licks

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Texto: Marcelo Augusto Fernandes

No final da década de 80, na minha adolescência, vi um cara tocando guitarra numa banda de rock chamada Engenheiros do Hawaii, da qual virei um super fã. Esse guitarrista me surpreendia e ficava imaginado como pode uma só pessoa fazer esse som de guitarra? Esse cara é Augusto Licks.

A partir daí comprei uma guitarra, estudei música e passei a pesquisar sobre a banda em uma época que não existia internet. Augusto Licks era o mais experiente da banda com trabalhos já consagrados no Sul. Eu tentava tirar os solos na guitarra e quando conseguia pelo menos 30 segundos era uma festa. Como sempre fui fã dele e meu sobrenome é Augusto, a galera começou a me chamar de Augustinho. Não cheguei a tocar 10% do que ele toca, mas para mim era uma honra.

Bom… Augusto Licks ganhou prêmios, fez uma apresentação histórica no Rock in Rio e deixou sua marca no Rock Nacional. Por uma ironia do destino a banda acabou. Apesar disso, Licks estava presente na minha coleção de discos, nas reportagens de revistas que guardava, na minha vasta gravações de VHS´s e, principalmente, nos acordes da guitarra.

O tempo passou e então ele aparece com o projeto “Do quarto para o mundo”, um workshop e troca de ideias sobre música, ou seja, mostrar seu conhecimento para fãs, músicos ou pessoas que gostam de música. Acompanhei esse projeto por anos até que chegou a oportunidade, ou seja, seria realizado em São Paulo.

No dia 12 de março de 2016, dois dias após completar 41 anos, chego na Avenida Paulista duas horas antes do evento. Por sorte, coincidência ou pelo destino me dar esse prêmio, andando pela Paulista dou de frente com os produtores do projeto Rodrigo Pedrosa e Manu Meneses juntamente com quem? – AUGUSTO LICKS!
De início os produtores me conheceram e me apresentei ao melhor guitarrista do Rock Nacional, que carregava uma bag onde imaginava qual seria a guitarra que carregava. O cara foi de uma simpatia espetacular, super educado e me deixou bem à vontade.

Logo esperei alguns minutos e me dirigi ao local do evento, onde fui o primeiro a chegar. O dia estava ao meu favor e recebo esse presente de aniversário e dou de cara novamente com Licks. Conversamos sobre diversos assuntos, parece que nos conhecíamos a tempo. Falamos sobre música, sobre as crianças no mundo musical e outros assuntos. Tirei fotos, pedi autógrafo, ou seja, tudo que um fã pode sonhar. Isso foi um momento mágico e nessa hora vi que sou um cara de sorte.

A galera foi chegando (galera de 16 a 40 e poucos anos) e com isso começa o workshop. Foram praticamente cinco horas de conhecimentos sobre a evolução da música, guitarras, pedais de efeitos, bandas, o que o músico deve fazer para não se afundar e assuntos sobre a carreira. O que me impressiona é que, além de bom músico, ele é um ótimo palestrante, pois a galera nessas horas sempre esteva atenta as suas palavras.
No final a guitarra que esperava era a Steinberger 06, sonho de qualquer guitarrista. Deu algumas canjas e foi de emocionar. Fiquei alucinado olhando Licks tocar e passou um filme em que, no final, valeu a pena cada segundo nesse local.

No meu ponto de vista, Augusto Licks é o último guitarrista do rock nacional. Hoje, infelizmente, não encontramos aquele cara que se destaca pela guitarra, ou pelo solo ou pela atitude. Nessa época de internet o que salva é rever tudo isso pelo youtube.
E que venham novos trabalhos de Augusto Licks.

Recado de Augusto Licks para um Workshoppee:
“Marcelo Augusto, obrigado pelas palavras gentis, espero que a experiência do 12 de março em SP lhe proporcione inspiração para sempre desfrutar a música como uma coisa boa, consigo mesmo e com os seus. A tempestade de idéias naquela tarde na Ellu foi pra levantar uma imensa “poeira” de conhecimento e entendimento, leva tempo pra baixar, e nesse caso acho que é bom que demore. Na verdade, nossa conversa começou antes, já na entrevista pré-WS. O diamante, que é essa conversa olho-no-olho não-virtual, ficou ainda mais lapidado. Nosso trem passou por SP mas continua, e leva todos vocês junto, você e o timaço que lá esteve, são parte. A conversa vai continuar mais adiante. Grande abraço!
Augusto”

Do quarto para São Paulo

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As inscrições para o workshop já começaram, meu! Aproveitem essa rara oportunidade de conversar pessoalmente com um dos melhores guitarristas do Brasil. Dá tempo para se programar, mas mesmo assim não deixe para o último dia porque os valores de cada lote são diferentes. Há menos de 40 dias do evento restam apenas duas inscrições a preço de primeiro lote. Algumas pessoas que participaram do workshop em Belo Horizonte gostaram tanto da experiência que garantiram sua participação em São Paulo também.

A expectativa do Augusto Licks é muito boa e está muito feliz porque o “trem de São Paulo está andando”, como já disse em algumas ocasiões para o produtor Rodrigo Pedrosa. Confira a matéria com todas as informações divulgada no Whiplash:

Pela primeira na capital paulista, Augusto Licks ministra o Workshop “Do Quarto Para o Mundo” no dia 12 de março. A palestra interativa com o ex-guitarrista dos Engenheiros do Hawaii é destinada a músicos iniciantes e todo tipo de público apaixonado pelo universo musical. Com inscrições limitadíssimas, o evento é um momento raro e precioso para aprender com um amplo conteúdo programático dividido entre assuntos conceituais e práticos. Em quatro horas de ensinamentos, os temas abordados seguem de acordo com a solicitação e ênfases dadas pelos próprios participantes.

As inscrições para o Workshop podem ser adquiridas a partir de R$180,00, disponíveis no primeiro lote de participações pelo site Sympla ou sem taxas através do e-mail
contato@romaprodutora.com.br.

O evento será realizado no período da tarde, na Avenida Paulista, próximo ao prédio da FIESP e à estação Brigadeiro do Metrô. A programação traz ainda um intervalo interativo para a realização de um coffee break/lanche. Em um momento de confraternização individual com os participantes, Augusto Licks tirará fotos e dará autógrafos aos interessados.

Num clima intimista, as experiências são transmitidas ao público de uma maneira muito mais qualitativa do que quantitativa. “Quero esclarecer que, embora destinado àqueles que estão começando a fazer música ou ainda sonham com isso, o workshop abrange assuntos que podem interessar a qualquer pessoa que goste de música, pois são questões universais e existenciais, não apenas assuntos técnicos ou privilégio de poucos.”, comenta Augusto Licks.

A última edição do Workshop “Do Quarto Para o Mundo” foi realizada no dia 17 de outubro de 2015 em Belo Horizonte. Após uma campanha de financiamento coletivo (crowdfunding) organizada por fãs, o evento recebeu público de diversas partes do País e ganhou destaque em grandes veículos de imprensa.

A palestra interativa já passou também por Porto Alegre, Rio de Janeiro e Iracemápolis. Para aqueles que já participaram, Augusto Licks relata que assim como aconteceu da última vez, em BH, o próximo Workshop não será uma repetição dos anteriores. “Há tempos tenho constatado que cada local e cada grupo de participantes proporciona assuntos diferenciados. Para enriquecer a experiência, procuro aproveitar algumas situações anteriores como ponto de partida, para facilitar a espontaneidade em cada novo workshop. Do Quarto Para o Mundo é para mim como um diamante, que estará ainda mais lapidado em SP”.

Inscrições: https://www.sympla.com.br/augusto-licks-workshop-do-quarto-p…

Valores: 1º Lote: R$180,00 (+ R$18,00 Taxa) ou sem taxas pelo e-mail: contato@romaprodutora.com.br (somente depósito bancário)
Data: 12 de março de 2016
Localização: Avenida Paulista – Próximo ao prédio da FIESP e a estação Brigadeiro do Metrô (os participantes serão informados por e-mail do endereço completo).
Público-Alvo: Músicos Iniciantes. Estudantes de Música. Qualquer pessoa que goste de música.

Fonte: http://whiplash.net/materias/news_795/237703-engenheirosdohawaii.html#ixzz3z0ivDKJp

Augusto Licks faz workshop em BH

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Casa Cultural Matriz acolheu músicos interessados na aula do guitarrista

 

Augusto Licks: A emoção da passagem por Belo Horizonte

A passagem de Augusto Licks por Belo Horizonte pode ser definida por uma série de momentos emocionantes contemplados por inesquecíveis conversas olho no olho. O emblemático guitarrista continua conquistando admiradores por onde passa e preserva uma legião de fãs extremamente fiéis à genialidade de seu trabalho. Antes mesmo do horário marcado para o inicio da primeira edição do Workshop “Do Quarto Para o Mundo” na capital mineira, cerca de 10 pessoas de diferentes partes do País já aguardavam ansiosas nas escadas de acesso da Casa Cultural Matriz, local escolhido para a realização do evento.

Muitos traziam, com admirável cautela, discos dos Engenheiros do Hawaii e lembranças que a estrada percorrida por um músico com tantos anos de carreira proporciona para quem acompanha seu trabalho. Mesmo afoitos por acordes de guitarra, os participantes ressaltavam seus conhecimentos sobre diferentes fases de Augusto Licks, como os tempos em que exerceu a graduação em jornalismo, a participação no clássico “Deu Pra Ti Anos 70”, a parceria com Nei Lisboa, os artigos sobre futebol e as trilhas para filmes e peças de teatro. Os músicos presentes, empolgados em vê-lo, buscavam saber mais sobre as técnicas usadas, o mercado atual e a habilidade de tocar diversos instrumentos ao mesmo tempo em seus shows.

O conteúdo era amplo, as curiosidades infinitas e isso despertou a necessidade de aproveitar cada segundo do dia 17 de outubro de 2015. Compartilhar conhecimentos com humildade parece ser um dom natural de Augusto Licks. Fala com maestria sobre instrumentos musicais, com ênfase em sua paixão por guitarras, e também sobre experiências de vida, vinhos, cinema, e elabora complexos conceitos de teses futebolísticas. Desde sua chegada a Belo Horizonte, na véspera do Workshop, a expressão serena e amistosa permaneceu no semblante do guitarrista.

Nem mesmo o registro das temperaturas mais altas da história da cidade afetou seu bom humor. Os termômetros marcaram mais de 37 graus por dois dias consecutivos, trazendo calor recorde durante sua estadia. Estava muito feliz pela oportunidade de conversar sobre música e estabelecer esse contato direto com o público. Apesar da ansiedade empolgante para que algo que desejamos muito aconteça o mais depressa possível, Augusto, sempre perfeccionista, manteve tranquilidade para estudar e repassar mentalmente todos os tópicos que gostaria de abordar.

Abertos os portões, um momento foi dedicado para atender os participantes do Workshop. Cada um dos 20 apoiadores tirou fotos, pediu autógrafos e conversou com Augusto Licks. Muitos ali, o encontravam pela primeira vez e deixaram transparecer toda a emoção de conhecer um ídolo tão significativo em suas vidas. Algumas relíquias guardadas durante anos aparecerem no encontro, como um cigarro do guitarrista preservado por uma fã em sua agenda dos anos 90. Muitas lembranças, discos assinados e histórias contadas depois, era hora de abrir o cardápio de assuntos sobre carreira artística que o evento proporciona.

Depois de sua apresentação, Augusto entrou no palco sem ares de estrela do rock. Naquela sala com pouca luz, estava muito próximo de cada participante, disposto a escutar tudo o que eles tinham a dizer. Os olhares se mantiveram curiosos e emocionados durante as quatro horas de Workshop. Augusto Licks mostrou que não existem barreiras para quem deseja aprender a tocar um instrumento, sempre motivando o interesse pessoal de todos. Contou histórias de vida, momentos marcantes de sua carreira e sua opinião sobre ouvir e fazer música.

Já na parte final, depois de um intervalo interativo em que o assunto predominante foi a emoção sentida por cada participante ao encontrá-lo, a simbólica e inesquecível Steinberger branca (a loira) emitiu as primeiras notas de clássicos conhecidos do público, como ‘’Pra Ser Sincero’’,‘’Infinita highway’’ e ‘’Parabólica’’. Apresentou também trechos de novos trabalhos, igualmente aplaudidos e ovacionados por emocionados admiradores que se levantavam de seus lugares já nos primeiros acordes.

Na hora da despedida, todos queriam mais alguns instantes com o ídolo. Muito simpático, Augusto fez questão de atender a todos e relembrar divertidas cenas de shows com os Engenheiros do Hawaii. Recebeu presentes e até apelidou um participante de “alegria contagiante”, tamanha a satisfação que ele demonstrava por estar em sua aguardada presença. A conversa se estendeu por mais duas horas além do horário previsto. Muitos fizeram questão de registrar em fotos a sensação de ter a Steinberger nas mãos. O participante Leandro Lima definiu aquele dia como “excepcional”. Mesmo tendo viajado mais de 400 KM, valeu a pena cada metro percorrido.

Horas após o encerramento do Workshop, Augusto Licks ainda comentava extasiado sobre as passagens que ele mais havia gostado no encontro. Definiu aquele final de semana em Belo Horizonte como “Dias de efeito prolongado”. Mostrou-se muito feliz de poder apreciar as belezas da cidade vinte anos depois de sua última visita, ainda em uma das turnês com os Engenheiros do Hawaii.

Agradeceu muito pela participação e dedicação de todos que colaboraram para que o evento acontecesse através do Financiamento Coletivo e assinou com muito carinho as recompensas destinadas aos apoiadores. Entre tantas conversas, falou também sobre o nascimento da Roma Produtora. Criado por fãs a partir da experiência da realização do Workshop em Belo Horizonte, o projeto pretende levar os conhecimentos de Augusto Licks para outras cidades do Brasil.

Apesar do cansaço ocasionado pelo dia repleto de atividades e de muita emoção, o músico se despediu saudosamente de BH. Ainda no aeroporto disse, sensibilizado, que deseja retornar em breve à cidade. Os fãs também aguardam saudosos por suas próximas visitas em diferentes lugares. Enquanto isso, todos que estiveram no Workshop “Do Quarto Para o Mundo” ficam com a lembrança prolongada de um dia que promete não terminar tão cedo em nossas memórias.

Fonte: http://whiplash.net/materias/news_797/233847-augustolicks.html

Ex-Engenheiro do Hawaii ministra curso pela primeira vez em BH

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Augusto chegou nessa tarde em Belo Horizonte para mais uma edição do workshop “Do quarto para o mundo” que será ministrado nesse sábado (17).

http://www.otempo.com.br/divers%C3%A3o/roteiros-culturais/ex-engenheiros-do-hawaii-ministra-curso-pela-primeira-vez-em-bh-1.1141467

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