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Revolta

O segundo LP dos Engenheiros do Hawaii explicita tudo o que acabou subestimado no anterior. Queima no mesmo tanque latinidad e a brasa da Jovem Guarda – em sua infinita highway cabem clichês de Roberto e Erasmo, Astor Piazolla, a música gaúcha urbana de Nei Lisboa e do extinto grupo Almôndegas – como não? -, e os indefectíveis U2 e Smiths. A saída do baixista e a entrada de um novo guitarrista (Augusto Licks, ex-integrante da banda de Nei Lisboa) acabaram facilitando o resultado enxuto deste mix cultural, ao mesmo tempo rico e pop para as pistas de dança.

O apelo pop, entretanto, é o chantilly que disfarça o gosto amargo das letras de Humberto Gessinger. Um gosto estranho na parada de sucessos, que ameaça popularizar preciosidades como “Terra de Gigantes” – lembrando um jingle, esta faixa ataca: “Juventude e uma banda! Numa propaganda de refrigerante” – ou “Guardas da Fronteira” – cantada a duas vozes com a participação de Julio Reny: “Antes de atirar o vaso na TV/ Eu ouvi que ela dizia:! Quando não houver mais amanhã.! Será um belo dia”. Existencialismo dançante para deixar puristas – e veranistas! – queimados.

Marcel Plasse

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