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ABRIL / 1988

ABRIL / 1988

O segundo LP dos Engenheiros do Hawaii – A Revolta dos Dândis – trouxe para o grupo o merecido respeito da crítica. E aumentou a atenta legião de fãs que eles angariaram desde que emplacaram uma das canções mais fortes da nova geração da música brasileira – “Toda Forma de Poder”. O novo integrante, Augusto Licks, que a princípio causou preocupação por sua forte ligação com o “popular” e o blues – meio distante, portanto, do rock cru -, dissipou todas as dúvidas nesse coeso e forte show bem no centro de uma das capitais: o Rio de Janeiro. Após vários shows pelos interiores afora, Augusto assimilou, via energia da platéia, como debulhar a guitarra sem prejudicar seu estilo – melodioso e repleto de sutilezas.

As canções também sofreram algumas mudanças nos arranjos. “Refrão de Bolero”. uma balada que ao fim e ao cabo, se transforma num rancoroso e forte rock´n´roll, ganhou força de interpretação com as distorções acrescentadas por Augusto. “A Revolta dos Dândis I”, o hit desse disco, terminou com um clichezão de rhythm´n´blues. “Toda Forma de Poder” iniciou com teclado e fez o público levantar quando se tornou mais evidente. A novidade no repertório foi a inclusão de “Carecas da Jamaica” , do conterrâneo gaúcho Nei Lisboa, em arranjo rock.

O “Anjo Exterminador” – como Carlos Maltz (bateria) chama seu parceiro. Humberto Gessinger – manteve sua sutil eficiência em levar a platéia a segui-lo com toques e gestos quase imperceptíveis. Voz e interpretações exatas para um discurso de rara poesia, lucidez e simplicidade no cenário do rock brasileiro.

Mas o ápice do espetáculo ficou mesmo na dobradinha planejada para o centro do show, incluindo “Terra de Gigantes” – que, embora pouco tocada nas FMs, foi ouvida em silêncio quase religioso, arrancando aplausos emocionados da platéia – e “Infinita Highway”, o hit eleito pelo público.

Para o bis, eles guardaram “Segurança” – outro hit de 87 -e repetiram “Infinita Highway”. Rostos gratificados deixavam o teatro. No sábado, recorde de público do Teatro Ipanema. Na quinta, um espectador subiu ao palco com uma gaita para acompanhá-los em, “A Revolta dos Dândis lI”. Na quarta, rosas de alguma fã no camarim…

Há ainda quem torça o nariz para eles. Mas, neste mundo de muito merchandising e pouca fantasia, a intenção e o resultado da música e poesia dos Engenheiros do Hawaii é clara e simples: cai a tarde e alguém vai ver o show de sua banda preferida. O que pode ser maior?

Sônia Maia

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