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OUT / 1990

OUT / 1990

Humberto Gessinger e cia. estão de volta, e como sempre causando polêmica. Saiba como anda a vida do superpopular trio gaúcho que a crítica adora odiar

Com seu quinto LP chegando às lojas, os Engenheiros do Hawaii continuam os mesmos – mais ou menos. Loucos por metáforas, contradições, frases de efeito, trocadilhos e detalhes, continuam habitando o mundo semi-hermético que criaram e onde eles próprios se propõem a confundir e explicar. Política, arte, futebol e religião unem-se ao pop como assuntos recorrentes. Musicalmente, continuam perseguindo – e assumem isso às claras – seu público primeiro e mais fiel, os adolescentes.

Mas ao mesmo tempo que os Engenheiros continuam os mesmos, sua posição na pirâmide do pop brasileiro se alterou. Há um ano atrás, quando a BIZZ entrevistou pela última vez o grupo, eles começavam a ameaçar a liderança então fossilizada das três grandes bandas brasileiras, Paralamas, Legião e Titãs. Hoje, qualquer checagem isenta no mercado e no imaginário dos jovens roqueiros demonstrará que, depois da Legião Urbana – que já atinge uma posição quase mítica junto ao público -, os Engenheiros são a banda predileta dos adolescentes do Brasil.

Simultaneamente, Humberto Carlos e Augusto continuam sendo rejeitados pela maioria da crítica, que julga seu trabalho juvenil e os acusa de buscarem sempre o mínimo denominador comum. Uma contradição bem ao gosto do trio, que, antes de cair na estrada para promover O Papa E Pop cometeu algumas declarações brilhantes – ou seriam bobagens atrozes? Leia e decida.

Nem sempre nomes de discos encerram conceitos. Mas, no caso de vocês, aposto como há algo por trás ele O Papa É Pop…

HUMBERTO – (rindo) É a nossa versão de “Seu Pipi no Meu Popô…” Essa idéia existia desde que o papa levou um tiro, era uma letra que falava “o pop não poupa ninguém”. Mas na época era superdifícil falar do pop porque eu não fazia parte, a banda era pequena ainda. Mas desde o ano passado, o pop se tomou mais real para nós. Foi então que vi numa revista, uma foto do Brizola na sala da casa dele. Atrás dele, havia um pôster do Papa tomando chimarrão. Depois lembrei- me de outra foto do Papa com a bandeira do Flamengo dentro de uma limusine. Pô, o Papa é pop realmente. Essa transa da realidade pós-moderna não é clichê, nem uma etiqueta. A tecnologia levou a isso, onde tudo é pop. Elegemos o presidente que era mais pop, o único que anda de jet ski. O ex-técnico da seleção brasileira é pop, ele vende Fiat. Bem, e nós amadurecemos nesse último ano e aprendemos a assumir o lado pop. As eleições ensinaram isso. Quem perdeu foi a classe artística, todo o Brasil inteligente. Mas esse Brasil se anula, se inflaciona, tem vergonha de ser inteligente. As pessoas têm medo de tocar na rádio, de aparecer. Lembro que as melhores cabeças do rock nacional passaram um ano discutindo se deveriam ou não aparecer no Chacrinha. Isso é imaturidade, adolescência tardia. Nos assumimos como um fragmento dessa colcha de retalhos pop.

QUEM

O que significa assumir o pop? Traria alguma mudança para a banda?

HUMBERTO – Musicalmente, não.

CARLOS – Na verdade, nunca nos fechamos para a mídia. Sempre foi assim.

HUMBERTO – Assumir é tentar defender esse discurso. Tentar dizer que ele é válido para todo mundo, não só para os Engenheiros, mas para o Hermeto Pascoal também. Não iríamos nunca chegar a essa conclusão se não tivéssemos perdido as eleições. Pode ficar maçante falar sobre isso, mas foi como um despertador. Porque esse é um país de pudor… Por exemplo, levar música popular para os estádios e ginásios. Isso tinha de acontecer. A Bossa Nova era música de bar, depois veio a MPB, nos teatros. Agora alguém precisa ocupar outros espaços. Se não formos nós, ou o Hermeto, serão as Paquitas. Se alguém tem de fazer música para a Patrícia é melhor que sejam os Engenheiros do que outros caras. É essa a viagem: sujar as mãos mesmo. Tudo o que eu sei é pop, não tem nada de erudito. Então isso tem um valor, porque eu tenho valor. Então o Papa é pop sem deixar de ser Papa. Tem gente que vai achar que é um papo pejorativo. Mas eu acho o Papa do c*. É lindo que ele seja pop.

Mas talvez a Igreja não veja dessa maneira…

HUMBERTO – Acho que não terá problemas. Muitas bandas fizeram músicas falando mal da Igreja diretamente. A nosso é supersutil, é a favor do Papa. A Igreja que se cuide porque ela está deixando de ser pop. Se houver algum problema, eu retiro o Papa, porque sou supercatólico. Mas proponho o pop como uma maneira de ser eterno. Não é brincadeira, é supersério. Fiz isso com a minha vida e aconselho a Igreja a fazer o mesmo. Se o Papa tem coragem de tomar chimarrão em Porto Alegre, ele tem de ter coragem de estar na capa do disco dos Engenheiros.

O que você quer dizer com a Igreja está deixando de ser pop?

HUMBERTO – Ela está perdendo espaço para os caras carismáticos da Igreja Universal do Reino de Deus. São caras interessantes, superpops. E a Igreja sempre foi superpop. Ela tem a imagem mais poderosa ao seu lado, o crucifixo. Talvez só perca para a suástica que é outro grande logotipo. A gente se amarra em logotipos: usamos o hippie, agora o yin/yang. O suprasumo do pop é o logotipo. Ele é mais rápido que a palavra.

AUGUSTO – Acho que a Igreja vai até tocar a música na missa.

CARLOS – Não estamos agredindo. Isso é tão fácil, tão babaca. Fazer um filme profanando uma imagem sagrada, uma música dizendo “Não Igreja”, dá uma mídia imediata. Jamais faríamos isso. É um saco. Parece que estamos em 65, sei lá.

HUMBERTO – Mesmo porque a Igreja não é inimiga dos costumes. Ninguém está aí para o que os caras dizem. E fica bonitinho: O Papa É Pop. Meus sobrinhos vivem repetindo. Acho mais legal que “Seu Pip No Meu Popô” (risos).

Depois de criticar bandas que freqüentam as rádios com versões, vocês além de gravar, escolheram, como música de trabalho “Era Um Garoto Que Como Eu Amava Os Beatles E Os Rolling Stones”…

HUMBERTO – É uma coisa muito engraçada. Fizemos a campanha do Brizola, de graça, em vários comícios. Então pensei: tocar só nossas músicas, ninguém conhece aqui. Vamos fazer uma cover, entreter as pessoas. O Carlos e o Augustinho deram sugestões e daí eu descobri que não sabia tocar nenhuma outra música que não fosse minha. A única exceção foi “Era Um Garoto… Quando eu era criancinha, era completamente apaixonado por ela. Não sei tocar músicas inteiras, mas sei pedacinhos, todos os refrães música pop. Queria tocar “Back In The URSS”, por ter estado lá, mas não decoro a letra, meu inglês é terrível.

CARLOS – Podíamos tocar as músicas Pink Floyd mas não iriam cair bem.

HUMBERTO – É, não iriam. E eu não saberia as letras. Mas então escolhemos “Era Um Garoto…” e foi um arraso. É engraçado porque a maioria das bandas já reclama do som dos teatros. Imagina se tocassem num comício, elas iriam morrer, vomitar… E eu achava a letra parecida com o que acontecia com a gente. Eu amava sei lá, Pink Floyd, e estava no comício do Brizola. Essa música é atual para caramba. Em vez de fazer um solo, Augusto colocou vários hinos no meio. Mas aconteceu que as rádios começaram a tocar a música tirada de uma gravação um programa da Globo, o Babilônia. Acho que em alguns estados até cara da gravadora ajudou a distribuir. Como as outras ainda eram inéditas em shows, achamos melhor deixar que a de trabalho seja a que as pessoas já estão esperando. Mas não consideramos uma versão, porque a versão é dos Incríveis. Não interessa se foram uns italianos que a fizeram antes. Eu assinaria embaixo dessa versão. Acho linda. E não vamos ganhar uma pila por direitos autorais. A introdução que os caras fizeram é uma chupação literal de “Mr. Tambourine Man”, gravada pelos Byrds. Tínhamos de manter isso também porque faz parte da história do rock nacional.

QUEM

CARLOS – Em Recife, teve um cara que foi me procurar no quarto do hotel. Era o Netinho, dos Incríveis, eles também estavam hospedados lá. Ficamos conversando… Eles são uma banda à margem do mercado, do mainstream. Não são chiques, são caras de estrada, até ingênuos. A gente se identifica com isso, com essa trajetória trágica e cômica… E a gente cansou dessa coisa de marketing, de estratégia. Até hoje sempre escolhemos a música errada. Então, deixamos o barco rolar, já que é o mercado que decide.

Pela primeira vez a produção ficou cargo da banda…

AUGUSTO – É um risco que se corre não ter nenhum ouvido de fora. Mas foi uma decisão acertada. Traduzimos exatamente o que queríamos, e é um disco para ser tocado direto nos shows. Nada impede de ser reproduzido ao vivo.

CARLOS – Essa trilha de tomar conta do processo todo vem desde o começo do nosso trabalho. Outro dia, li uma entrevista de um cara que transa house music. Ele falava dessa diferença entre as guitar bands e os caras da house, que têm muito mais independência. Isso nos atrai, apesar de sermos uma guitar band. Nosso caminho é esse, cada vez mais radical, donos do nosso próprio processo.

HUMBERTO – Falando assim parece super-heróico. Mas foi por preguiça.

CARLOS – O Augustinho foi um cara que produziu discos lá no Sul, claro, naquela realidade gaúcha, mas é uma pessoa atenta, minuciosa. Ele segurou a barra…

CARLOS – Não temos nada contra produtores, mas para nós é fundamental a concepção e execução do projeto. E bem uma coisa de arquiteto mesmo.

AUGUSTO – No lado mais racional. Quando ouvimos as fitas, percebemos que o disco já estava pronto. A música dos Engenheiros não tem o que mexer, ou inventar, ou criar. Nossa maior dificuldade é a parte técnica. O estúdio tem 1001 possibilidades, e nossa idéia não é explorar isso. Pelo contrário, é nos impor limites para não usarmos isso é manter nosso perfil.

HUMBERTO – O Carlos costuma dizer que se gravássemos um disco independente não seria diferente do que gravamos aqui.

Tenho a impressão que vocês são obcecados por detalhes….

HUMBERTO – Essa capa, por exemplo, é igual à do primeiro disco. É muito difícil explicar ao departamento gráfico da gravadora que não queremos nenhuma grande sacada. As capas, hoje em dia, são superanárquicas. A gente prefere limpar, ser agressivamente limpo.

CARLOS – Desde o começo, estamos tentando criar uma ilha dentro desse mar que é o pop. Delimitar o nosso território, inventar a nossa lei.

Mas também existe preocupação, por parte de vocês de explicar certos detalhes. Por quê?

HUMBERTO – Acho fundamental. Há muitas influências no nosso trabalho. Então, temos de dar uma chave de leitura. As pessoas não têm muito tempo. As rádios, por exemplo, nem dizem o nome inteiro da música: “Era Um Garoto…” e só. Tudo é muito rápido, não é? E uma revista serve para quê? Para eu falar sobre minha vida sexual? Eu prefiro falar sobre o porquê do logotipo.

CARLOS – Eu gostaria que ele falas-se sobre vida sexual (risos). Mas continuando sobre a ilha… As pessoas perguntavam se não iríamos colocar mais gente na banda. Virou moda aumentar as bandas, fazer shows maiores.

Moda ou necessidade?

CARLOS – Sei lá, tanto faz. Para mim, não faz diferença. O fato é que até mesmo quando o Augustinho entrou para a banda queriam saber se era uma questão de estilo. Na verdade, foi muito pessoal. Levamos dois anos para doutrinar esse cara, acabar com o ego dele (rindo), transformá-lo num Engenheiro do Hawaii.

E como é que ele  reagiu a essa “lobotomania”?

HUMBERTO – Tem de ser guri para embarcar nessa viagem. E o Augustinho era superadolescente e continua sendo. As pessoas quando passam da adolescência deixam de gostar dos Engenheiros. Isso acontece com várias bandas. Eu já ouvi uns caras falarem: “Temos de ampliar nosso público”. Mas eu estou interessado é no cara preocupado com as espinhas, com a garota, os enrustidos…

CARLOS – O Augustinho, apesar de ser mais velho, é o mais guri de todos.

HUMBERTO – E ele veio com parâmetros que eu não conhecia. Blues, música americana, Eric Clapton, eu desprezava. Fui formado pelo som inglês, progressivo, aquela velharia, mas aprendi muito com ele. Nunca tive professor, só de bandolim. E ele é um cara mais musical. Ouve a música e não o disco. Tanto é que ele mixa as canções e eu monto o disco. O Carlos já é mais parecido comigo, mesma geração. Mas, nesse disco, o Augustinho fez mais parcerias.

Afinal, esse disco representa alguma mudança na carreira da banda?

AUGUSTO – É um disco de afirmação. Exatamente o que queríamos fazer.

CARLOS – Pode ser meio pedante falar sobre isso, mas, na minha opinião, arte se resume a uma assinatura, quer dizer, de uma forma quase automática. Eu gravei com instrumentos eletrônicos e é difícil perceber.

HUMBERTO – Enquanto você respeita um instrumento fica difícil trabalhar com ele. Acontece também o seguinte: a gente vinha daquela estética da negação, do “somos cidadãos comuns, não temos nada a oferecer”. Mas virou doença, ficou exacerbado. O discurso das pessoas é pelo não. Até a gente era assim.

Houve época do shows intimistas…

HUMBERTO – Mas olha só, isso é diferente. É um intimismo exibido, humildade com H maiúsculo e dourado. Com esse disco queremos encarar isso. PÔ, qual é? Todos os programas de TV têm um cenário forte, caótico, maior do que o artista. Mas, se você começa a interiorizar isso, você se anula. E era o que todas as bandas estavam fazendo. As pessoas estão de óculos escuros à noite. Tira os óculos, meu filho. Porque, se a gente tiver força, sobrevive. Se não, se for mais fraco que um programa, é melhor que a gente acabe mesmo.

O que você acha da participação política do artista.?

HUMBERTO – Para nós, é que nem futebol. É uma ferramenta para falar sobre o mundo. Deve ser usada sim, mas com a menor seriedade possível, sem achar que política é racional. O amor é. Tenho paixão por esses assuntos, mas é a mesma paixão que tenho pelo Roger Walters. Não daria minha irmã para ele, entendeu?

E da crítica?

HUMBERTO – Desde que seja assinada, vale. Mesmo que uma pessoa leia e, sem conhecer a banda, ache que o que está escrito é verdade, então é melhor que ela se afaste de mim. Acaba sendo purificadora. A crítica é superimportante. Nesse disco, tem muito a ver com o que a gente ouviu, dos Engenheiros não serem cult nem chic. Porque, eu, por exemplo, sou neto de colonos. Fui a duas peças de teatro. Nunca li um livro de poesia em toda minha vida. E a última coisa que um editor de um caderno cultural quer é um cara desses. Não sou viado, quer dizer, fica difícil me engolirem.

Engenheiros do Hawaii é a única banda ainda em ascendo, enquanto as outras já têm espaço conquistado. Concordam?

AUGUSTO – Discordo um pouco. Acho que Legião tem ainda bastante a galgar, em termos de Brasil…

HUMBERTO – (interrompe, esperneando) Nãããão!!! Fizemos um pacto de não baixar a lenha em ninguém (gargalhando).

AUGUSTO – Digo em termos da Legião ser uma banda de estrada. Nós somos assim, tocamos em todos os lugares, não temos mais para onde ir.

HUMBERTO – Mas na cabeça das pessoas ainda tem muito espaço. Ainda não fomos bem entendidos. Saem críticas superdiferentes sobre nós.

CARLOS – Isso tem a ver com a clareza. Somos tão confusos, tão complexos que fica difícil criar uma leitura unidirecional. Titãs, Legião e Paralamas já viraram personagens de uma novela global, digamos assim.

Como anda o relacionamento de vocês com as outras bandas gaúchas?

CARLOS – A gente se dá com algumas pessoas…

HUMBERTO – Ah, mentira! A gente não se dá com ninguém. Não estamos a fim de bate boca. Mas não tenho relacionamento com ninguém. Os únicos caras que eu conheço são o Sérgio Serra e o Dé, já fizemos até música juntos. E outro dia eu falei com o Lulu Santos. Não conheço mais ninguém. Me diverti muito com os caras me contando como era um coquetel de lançamento… Antes eu era muito sincero…

Que tal viver no Rio de Janeiro?

HUMBERTO – São Paulo perdoa você ter nascido no Rio Grande do Sul, é um castigo de Deus. Agora, não perdoa jamais você ter escolhido morar no Rio. Acho besteira porque o Brasil inteiro ganha graças ao Rio segurar esse carma de ser a Carmem Miranda. Carnaval em Porto Alegre é de chorar. Alguém precisa segurar um porta-estandarte o Rio o segura com dignidade. E uma cidade que sobrevive só do afeto. E olha que tem uma sensualidade, um clima contrário à minha pessoa.

Vocês se preocupam com a aparência?

HUMBERTO – Eu vejo umas pessoas e digo para mim mesmo: eu quero ser diferente disso. Não quero ser igual aos hippies. Eu quero ser diferente dos caras de cabelo curto, sejam eles punks ou o presidente.

CARLOS – Sempre usei cabelo comprido, desde pequeno. A única vez que usei curto foi quando montamos a banda. Ficava superartificial.

HUMBERTO – Cabelo comprido é superbom para cantar porque você se esconde.

CARLOS – No palco, atrapalha. Eu não vejo absolutamente nada.

AUGUSTO – Eu teria muito o que falar, mas não em poucas palavras. Sou muito diferente desses dois. Por exemplo, outro dia vi uma foto minha fazendo a primeira comunhão. Percebi que estava vestido exatamente como nos shows, meu cabelo também estava todo para trás. É a roupa de ir à missa aos domingos, e um show é uma missa.

HUMBERTO – Bela frase!!!

Como é a vida de casado?

HUMBERTO – Minha mulher não sabe muito a respeito da banda, ela só ouve. E ela não se amarra em bastidores, nem eu. Pensando bem, não é um ambiente muito sadio. Os mais prepotentes são os mais inseguros. Ficam citando frases…

CARLOS – Minha mulher não aparece porque eu também não apareço.

O que o futuro reserva para os Engenheiros?

HUMBERTO – Tenho três possibilidades: ser motorista de táxi em Porto Alegre, mas estou deixando de lado; concorrer a deputado ou montar uma rádio em Gramado. Estou mais inclinado para esta. Seria uma rádio AM. Gosto do verbo no ar.

HUMBERTO GESSINGER

Idade: 27 anos

Religião: católica

Time: Grêmio

Instrumento: baixo e voz

O cantor e principal letrista dos Engenheiros não se considera um consumidor passivo de cultura. Não vai ao cinema, diz que odeia quadrinhos e só lê livros chatos, pedantes, complicados (improvável). Vê TV 24 horas por dia, vários telejornais ao mesmo tempo. Dedicou a música A Violência Travestida. Faz Seu Trottoir” a Henry Maksoud. Passa horas ouvindo música: atualmente, está interessado na sertaneja. Considera Gaúcho da Fronteira o Chuck Berry brasileiro. Costuma escrever cartas para as redações, mas nem sempre as envia. Quando o faz, “não são publicadas”. Gostaria de uma vez na vida ver um repórter de música “vestindo gabardine, como nos filmes, e que ainda fosse nos espiar no estúdio”. Aconselha aos leitores da BIZZ um dos seus passatempos, inventar religiões: “invento mandamentos, tudo que se pode ou não fazer”. Casado e sem filhos, Humberto Gessinger é chamado no meio musical –        pelas costas – pelos apelidos de “Vanusa” e “paquita”.

CARLOS MALTZ

Idade: 26

Religião: “sou judeu”

Time: Internacional

Instrumento: bateria

Co-fundador do grupo com Humberto, e como ele ex-estudante de Arquitetura. Não gosta de praia, mas costuma caminhar à noite pelo calçadão de Ipanema. Tem dois gatos. Acha o escritor americano Kurt Vonnegut muito engraçado. Adora ler entrevistas e gostaria que 90% das páginas da BIZZ fossem dedicadas a artistas brasileiros. Gosta também de ler livros sobre guerra e os recomenda aos críticos.

AUGUSTO LICKS

Idade: 34

Religião: ateu

Time: Grêmio

Instrumento: guitarra

Diz ser o solitário da banda – significa que é o único solteiro. O mais quieto do trio, Augusto adora cinema e jogar tênis, mas acha que no Rio é muito difícil fazer qualquer coisa. Deixou muitos amigos em Porto Alegre, e no Rio não conhece ninguém. Praia, nem pensar: “o sol faz mal à pele”.

Reprodução de matéria publicada originalmente pela Revista Bizz

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