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DEZ / 1991
DEZ / 1991

Lá pelo meio do ano, Humberto Gessinger dizia com todas as letras, em uma entrevista para a BIZZ, que este ano não tinha disco dos Engenheiros. Três meses depois, o desmentido: álbum novo em dezembro. Em tempo recorde, a banda entrou em estúdio, gravou e mixou e Humberto fez a capa e Cacá Diegues dirigiu o clip novo e o escambau. Confusionismo? Oportunismo? Falta de grana para os presentes dos sobrinhos no Natal? No mínimo, o disco deve ter saído fraquinho…

Pois que se calem as más-línguas. Recém-saídos da trip esquizofrênica em que o público e a critica os enfiaram (Humberto diz que é isso aí, que a banda tem mesmo que ser amada ou odiada. Mas tem uma hora em que a barra pesa), os Engenheiros tiveram alta. E o disco é o atestado.

É claro que quem detesta os caras não vai dar o braço a torcer tão fácil. Eles continuam com uma boa parte de suas manias pentelhas. Como aquela fixação nas aliterações (sampa com sampler, ou o ridículo título Várias Variáveis). E a capa é a expressão mais terrível da estética gessingeriana, um torpedo contra o bom gosto.

Em compensação, quem ADORA os Engenheiros vai amá-los mais do que nunca. Passou a fase enfezadinha/blasé, que se iniciou em Ouça O Que Eu Digo… (88), fermentou no dispensável Alívio Imediato ao vivo (89) e descambou no megalomaníaco – fingindo de coitadinho – O Papa E Pop.

Várias Variáveis não apenas recupera a agilidade de Longe Demais.. (86) e A Revolta Dos Dândis (87) com canções ganchudas/inspiradas que remetem a “Toda Forma De Poder” ou “Sopa De Letrinhas”. Também transforma os Engenheiros na banda progressiva que eles sempre quiseram ser. Tem passagens instrumentais, manipulação de tieipes e vozes sobrepostas, takes falsos e tudo. Bem tocado e bem produzido. Uma surpresa surpreendente…

ALEX ANTUNES

Reprodução de matéria publicada originalmente pela Revista Bizz

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