Tags

Detonar os Engenheiros Do Hawaii já não tem nem mais graça, mas é impossível não fazê-lo. E acredito que deve ajudá-los a vender mais discos. Toda as imprecações do mundo não seriam capazes de exprimir a raiva que sinto quando escuto uma música dos caras. Parece sacanagem para me irritar.

Os Engenheiros são na deles. Têm a maior galera, que gosta de verdade, enfim, fazem a merda que gostam e pronto! Eu é que estou no sistema solar errado. Mas e daí? Esse disco novo, para variar… é uma bosta. Literalmente a mesma de sempre, já que são, na maioria, versões unplugged de antigos sucessos surpreendentemente pioradas pelas orquestrações de Lincoln Olivetti… ou melhor, Wagner Tiso. Transborda mediocridade, arpejos de descanso de telefone de dentista, timbres enervantes e letras profundas como um banco de areia. A primeira música do disco, inédita, chama-se “Mapas Do Acaso”. Até aí você já notou que o Humberto Gessinger cortou o cabelo. Depois vêm as versões de “Além Dos Out Doors” e “Pra Entender”, que dão a idéia exata de um hooked on classics versão bossa nova. Rola até um corinho adestrado de macacas de auditório. Eles devem padecer no mesmo inferno que Charles Mason, só por terem gravado “Pra Ser Sincero” e “Muros E Grades”, mas um mérito desse trabalho é absolutamente inquestionável: Humberto finalmente pronunciou certo “Todos se separam” e não “Tudo se separam” em “Alívio Imediato”. Ponto para os Engenheiros.

Alexandre Rossi

Reprodução de matéria publicada originalmente pela Revista Bizz

Anúncios