Tags

,

Os anos 70 são os chamados “anos de chumbo”, repressão política, mortes precoces de ícones do mundo pop por overdose e escapismo hippie. Deu Pra Ti, Anos 70, filme do Giba  Assis BrasilNelson Nadotti, documenta os anos dessa juventude  em busca de suas soluções para os problemas. Poucos sabem como se deu a concepção, o “Gênesis”, ou se preferir o “Big Bang” dessa história.

Augusto Licks conta que na cozinha do apartamento do Nei Lisboa, muitas idéias rolaram enquanto tomavam o cafézinho da Dona Clélia, mãe do Nei: “No décimo-andar da rua Cauduro, bem em frente ao auditório Araújo Vianna, de tando ouvir o Gelson Oliveira repetir a frase “deu pra isso”, “deu pra ele”, pimba: “Deu pra ti, anos 70″ fechou o nome do show que planejávamos. E nem nos importamos com o óbvio erro de concordância da frase.”

Por volta de outubro /novembro de 1979 a dupla e alguns amigos picharam alguns prédios do campus central da UFRGS e as paredes da avenida Osvaldo Aranha, centro do chamado “baixo Bonfim”.  Só depois desse ato e por alguma sincronicidade,  Giba e  Nelson perceberam a frase pichada e correram atrás da origem, e  se seguiram as noites de intensas tempestades de idéias na “toca” do apartamento do Augusto e na cozinha do Nei.

Pensou-se num cartaz que fugisse do convencional e foi produzido então o losango pelo Alexandre P.R.O.N.A (“Sasha Cavalcanti”) e foi sendo produzido também o programa do show em capa amarela num esforço conjunto. O colega de escola do Nei, o Wobeto (que virou médico e mora em Minas Gerais) fez um desenho bico-de-pena para o ingresso, que foi impresso em papel Colomy por um carimbo fabricado na lojinha do Gelson Schneider, baterista de bandas locais como Bizarro e Prosexo.

“Os ensaios foram na casa gentilmente cedida pelo baterista Zé Edílio, e alí já foram rodadas algumas filmagens do super-8. A casa ainda existe na rua Miguel Tostes, embora a fachada tenha sido renovada”, diz Augusto  sem esquecer os detalhes.

Na banda  estavam o guitarrista Everson Oliveira tocando baixo, Glauco Sagebin no piano, Luizinho Santos no sax e o baterista Tony Ewerling, parceiro musical de Gelson Oliveira, que anos depois emigraria para os Estados Unidos.

No show, Augusto Licks usava charango boliviano, Ovation de aço e a guitarra Gibson Les Paul preta que usaria até os primeiros anos de Engenheiros quando precisou vender (comprada pelo guitarrista da banda Dorsal Atlântica do RJ). Nei usava um Ovation de caixa fina idêntico ao que na época usava Gilberto Gil.

Durante o show, rolava um black-out com gravação em fita rolo com diálogos “melecas” típicos da época: “VVVóddi grê, carinha … um xiz, carinha, um xiz … vvvódigrê …” De participação competente na gravação dos diálogos o iluminador Samuel Betts, que depois montaria no Rio a Companhia da Luz. A gravação se seguia a uma “Balada do boy” do desenhista Zé Varella e Augusto Licks satirizando o comportamento de jovens burgueses.

Anúncios