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Em “Deu Pra Ti Anos 70”, Nei Lisboa e Augusto Licks, Porto Alegre e a década que passa


O show estréia hoje e permanece em cartaz até domingo (21 horas) no Teatro Renascença, com ingressos a Cr$50,00 e Cr$ 80,00

Deu Pra Ti Anos 70 existe. É o título do show que pode ser visto de hoje a domingo com roteiro de Nei Lisboa e Augusto Licks e participação dos próprios, mais Glauco Sagebin, Everson Oliveira , Luiz Santos, Tony Everling e Tereza Ferlauto. A frase “deu pra ti anos 70”, que há dois meses começou a aparecer pixada em alguns muros e paredes da cidade, serviu como um excelente mote para a divulgação do espetáculo, dado ao “mistério” que a envolveu. “O que significava isso?”, ficaram perguntando as pessoas. Hoje todos já sabem. E ficará sabendo mais ainda quem for ao Teatro Renascença ouvir o trabalho e a música de um grupo de jovens compositores e instrumentistas que apareceram, justamente, no final da década. Nei, um dos que lidera o espetáculo , realizou sua primeira apresentação em teatro na primeira metade deste ano, no show Lado a Lado, com Gelson Oliveira – antes tinha feito apresentações esporádicas no ambiente universitário. É um adeus, um chega pra lá, nos pesados anos que terminaram, e uma colocação de propósitos para a década que vai começando. Os personagens da música gaúcha que pretendem movimentar os anos 80 a partir de Porto Alegre: são eles que estarão no palco a partir de hoje. Porque os músicos crescidos na década de 70, esses já estão partindo todos para o centro do país. E é nessa medida que pelo menos restam esperanças a quem a ainda não se encontra em condições de partir. É nessa medida que Porto Alegre não ficará abandonada como sempre ficou.

Mais do que apenas um espetáculo, Deu Pra Ti, Anos 70, parece conter uma intenção e uma proposta. Foi produzido com muito cuidado e conseguiu até uma coisa rara: patrocinador (Lee e Shell). A maior parte das 29 músicas do show é assinada por Nei Lisboa e Augusto Licks, este um violonista e compositor que prefere não aparecer muito – tanto que não quis estar nas fotos de divulgação. E foram colocadas em nove partes: Abertura, Um Grito Parado na Altura do Esôfago, Saca o Ultimo Roquezinho de Garopaba? Bom…Fim, Ano Que Vem, Depois e entre elas três interlúdios.

Os músicos: Nei Lisboa (violão, violão oitavado, voz, violão, vocais), Augusto Licks (violão, violão oitavado, violão Ovation, guitarra, guitarra havaiana, charango, harmônica, voz, vocais), Glauco Sagebin (piano, violão, viola de 12 cordas, vocais) , Everson Oliveira (baixo, vocais), Luiz Santos (flauta e sax alto), Tony Everling (bateria e percussão) e Tereza Ferlauto (voz). As músicas: Balada do Boy (Augusto/Zé Varella), Numa Cidade de Um Milhão de Habitantes (Carlos Mosmann), Menino Triste (Mosmann / Carlos Caramez), Do Lado do Avesso (Nei Lisboa), Esquecimento Fatal (Augusto Varella), Só Não Desespera (Mosmann), Nessa Cidade (Nei/Boina/ Zelito Miranda), Eu Vou Cair de Porto Alegre (Mosmann / Augusto), Sumir no Cais (Nei), Rondando Pomares Alheios (Augusto), A Terra Não Paga Nada (Mosmann), Outros Sentidos (Augusto/Nei), Maré Alta (Augusto), Costão (Augusto/Nei), Ano que vem (Nei), Balada para Margareth (Nei), Delírio 32 (Nei), Verinha (Mosmann), Doody II (Nei), Osvaldo Aranha (Augusto / Nei), Acordar (Mosmann / Carlos Bandarra), ????????? (Augusto), Deu Pra Ti, Melhor, Maio, Trem de Fanfa e Júlio, Edelvais e Mariela (todas de Nei).

Com colaboração da Cepal, Deu Pra Ti Anos 70 tem arranjos de Augusto Licks, som de Acusma, luz da Pirilampo, cenários de Neneco Bastos, Nelsinho e Wobeto e apoio da SMEC.

Reprodução da matéria originalmente publicada no Jornal Zero Hora em 20/12/1979

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