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Augusto Licks trabalhou na rádio Guaíba

Nestas voltas que damos nos blogs da vida, acabamos  descobrindo assuntos e pessoas que nos despertam interesse. Foi assim que nestas viagens cibernéticas caí no blog da jornalista Silvia Remaso. Não sei ao certo por quais caminhos, também não vem ao caso, temos em comum a admiração pelo músico e compositor Augusto Licks.

Falar do Augusto me faz voltar ao passado.  Ainda tenho a imagem do Augusto tocando com  o cantor Nei Lisboa nos shows no teatro Renascença aqui em Porto Alegre. Para lançar o vinil “Pra viajar no Cosmos não precisa Gasolina”  a dupla teve que captar  recursos.  Como era um disco de produção independente  precisavam reunir os recursos para poder entrar no estúdio. Quando o disco ficou pronto, quem tinha comprado o  bônus ia até a loja e retirava o disco que já tinha comprado antes mesmo de ficar pronto.  Na época,  eu tinha 16 ou 17 anos e os caras já tinham um bom número de fãs que não perdiam os shows em Porto Alegre. Eu não perdia um show! Acompanhava essa dupla que acabaria virando uma banda com a parceria de outros músicos como o tecladista Glauco Sagebin. Augusto era introspectivo e ao tempo  deixava suas palavras fluírem nas notas das composições com o  Nei Lisboa.

Conheci o Augusto pessoalmente. Além de dedilhar o braço do violão e da guitarra, também “dedilhava” uma máquina de escrever (Remington) na redação esportiva da rádio Guaíba, onde trabalhava com o meu pai. Até hoje não encaixo na minha cabeça o Augusto do esporte da Guaíba com o Augusto parceiro do Nei Lisboa.  Mas foi isso que  me aproximou da distância do palco.

Dele ganhei uma fita cassete que continha algumas vinhetas gravadas para programas e algumas composições ensaiadas com o Nei Lisboa. Alguma frase me vem na cabeça falando sobre “nuvens de algodão”, mas não lembro exatamente qual era e infelizmente não sei que fim levou a tal fita k7.

Tive uma breve experiência e a oportunidade de tê-lo como professor. Augusto Licks me ensinou alguns acordes, mas sinceramente, não sou uma boa referência como aluno.  Por ser atrapalhado e preguiçoso acabei me tornando um baterista autodidata. Como baterista eu não precisava decifrar muito os símbolos e códigos das partituras para acompanhar os amigos. Pedi para o Augusto Licks colocar as cifras no encarte do primeiro disco para poder tocar em casa.  As notas complexas para este aprendiz de revista de violão davam um nó nos dedos. Não me acertava entre trastes e cordas.

Estranhei quando vi o Augustinho, como era chamado, tocando guitarra nos Engenheiros do Hawaii. Algo não combinava com ele e não acho que combine até hoje. Em compensação com o Nei Lisboa… Ainda terei o prazer de rever e lógico escutar. A parceria com Nei me marcou. Naquele tempo Augusto já era um “guitarrista sintetizado”, numa época em que a grande maioria nem sabia o que fazer com toda aquela tecnologia.

Às vezes fico sabendo alguma coisa sobre ele pelo Afonso Licks, seu irmão, quando o encontro  por conta do trabalho.  Foi assim que  soube que Augusto leu o comentário que escrevi nesse blog.

A turma aqui do Sul aguarda não só a visita, mas o retorno desta figura pelos pampas. Quem sabe para tentar me converter em um guitarrista ou  rever a parceria com Nei Lisboa. Talvez algumas composições novas. Assim meu filho também terá a oportunidade de ver uma fase boa da minha vida.

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