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LicksSaulo Henrique S. Caldas, escreveu um depoimento para o blog em  31 de Março de 2012, diretamente de Aracaju-SE. Confiram a oportunidade que ele teve e a maioria de nós não!

Era 19 de janeiro de 90, e a  rede Globo transmitia o Hollywood Rock.  Engenheiros do Hawaii era a banda “menos” famosa que subiria ao palco antes do Bon Jovi na Apoteose. Comandaram a noite, ganharam a “luta de egos” do festival, e a Folha de S.Paulo divulgou no dia seguinte o resultado de sua pesquisa: Engenheiros do Hawaii foi a banda preferida do público que assistiu o Hollywood Rock, no Rio de Janeiro.

Foi nesse show que conheci Augusto Moacir Licks, o guitarrista que tocou entre 1987 a 1994. Ouvia o álbum Alivio Imediato, que tocava nas rádios de todo o país, na época. Foi o primeiro show que assisti pela televisão e a melhor performance de Licks, na minha opinião.

Comecei a tocar violão e depois guitarra em 91, muito por influência do Augusto. Achava que tinha muito a ver com minha personalidade o jeito com que ele transava sua guitarra e solos. O estilo ‘ intelectual’ nos palcos também…

[18/02/1992] TOUR VÁRIAS VARIÁVEIS

Encontrei Licks em Aracaju, no hotel Parque dos Coqueiros – hoje fechado. Esperei por ele, Humberto e Carlos que se apresentariam naquele dia, à noite, na casa de Espetáculos que, coincidentemente, levava o nome do guitarrista: Augustu´s Casa de Espetáculos.

Ficamos no hotel das 16h às 20 h para ver os caras. Sem saber, Licks e Maltz estavam na passagem de som no Augustu´s, com os roadies e produção, ao passo que Gessinger estava trancado, no quarto do hotel, dormindo, compondo ou vendo TV. Ninguém sabe.

Quando menos esperávamos, Carlos Maltz surge no saguão do hotel, já era 19h40. Super legal, sentou conosco no sofá do hotel, bateu papo, autografou, tirou fotos durante uns 20 minutos. Me deu um branco, como se não tivéssemos nada para falar. Os muitos assuntos sumiram repentinamente.

Driblamos a segurança do hotel e ficamos na porta dos quartos dos integrantes da banda. Cinco minutos passados, surge Augustinho Licks, trazendo consigo a Steinberger (loira), subindo as escadas às pressas. Voltava da passagem de som, e tomou um susto ao nos ver em frente ao quarto dele (s). Disse: “Oh, não! não!” – e depois sorrindo, sem graça!

Essa foi a primeira vez que encontrei Licks. Conversamos e disse a ele que estava começando a tocar, e ia fazer um Cover dele. Sorrindo me perguntou por que eu não estava “engomadinho e de óculos”. Mesmo com pressa, pois faltava apenas 1h para se deslocarem até o local do show, Licks era muito simples e conversava com todos. Pedi para tirar uma foto com a Steinberger, e, para minha surpresa, ele não fez cerimônia para tirar a guitarra do case.

Ali estava eu, com a guitarra do Licks nas mãos e pensando: “Caramba, a guitarra da capa do O Papa é Pop em minhas mãos…”

Dias depois, eu saberia que essa foto tinha queimado. Quase fui a óbito de tanto desgosto! Maldita época em que não tínhamos máquinas digitais!

Emocionado,  lembrava que deveria ter pedido uma palheta. Seria a forma mais fácil  de conseguir sem precisar disputar aos empurrões com a multidão  durante os shows. Fiquei puto. Percebi que as danadas estiveram embaixo da “loira” perto das minhas duas mãos o tempo todo.

Minutos depois Gil Lopes e Humberto Gessinger surgem em nossa frente. Gil Lopes tentou nos iludir: “Depois do show eles autografarão e tirarão as fotos…”. Bah, não cairíamos nessa! Ali mesmo, encurralamos Gessinger. Perdemos a voz, não saia nada. Estávamos congelados diante do Humberto. Pobres fãs, extasiados e deslumbrados! Como sempre, Humberto usou de poucas palavras e estava sério.

Com atraso de apenas 15 minutos os Engenheiros fizeram um dos melhores shows que assisti na minha vida inteira! Finalmente peguei minha primeira palheta do Licks, entregue em mãos no final do BIS, após muito “Augusto, palheta” gritado de cima dos ombros do André, colega que faria Cover dos Engenheiros comigo. Olhei para o prêmio, que poderia ter sido fácil no Hotel. Vi lá: GIBSON, a marca. Atrás dela, a assinatura do Augusto (que em 2012, em visita a ele no Rio, o próprio me disse como gravava as assinaturas na palheta dele, e como ele prendia as palhetas debaixo das guitarras). Não vou contar, senão perde a graça. risos.

[11/03/1993] TOUR GESSINGER, LICKS & MALTZ

Voltei a encontrar o Augusto em 93. Licks e Maltz passavam o som, às 16h. Matei aula de matemática, no segundo grau. Pulei o muro do colégio Arquidiocesano – no que me custaria futura suspensão na Escola e convocação de meus pais – para ir ver a passagem de som dos Engenheiros.

Foi a última apresentação do GLM que vi na vida. A primeira foi 04/01/1991; a segunda em 18/02/1992; a terceira em 19/02/1992; a quarta em 11/03/1993. Licks tocava Parabólica, depois Chuva de Containers. Nesse ano não vi o Humberto, exceto quando subiu ao palco e fez o show.

Licks conversou conosco de cima do palco, ao lados dos roadies Cássio Araújo (do Humberto), Rinaldo Marx (do Augusto) e Nilson Batista, (do Maltz). No fim da passagem de som e pedi a palheta. Mostrei umas fotos do ano anterior, ele lembrou só depois de vê-las. Meu amigo Geraldo Motta, fazia Cover do Maltz e ganhou as baquetas na mesma hora. Foi nessa ocasião que vi, pela última vez, ao vivo, o Augustinho Licks nos palcos com Humberto e Carlos.

[29/03/2012] REENCONTRANDO AUGUSTO LICKS

Fui ao Rio de Janeiro a trabalho e encontrei Emerson Rickenbacker, um cara nota 10, super fã dos Engenheiros do Hawaii. Fomos assistir o mega-show de Roger Waters, no Engenhão.

Antes disso encontramos o Augusto Licks. Conversamos por uns 60 minutos. Simpático, como sempre, Augusto fica emocionado – ao modo dele – ao ver o carinho de seus fãs, depois de tantos anos longe dos palcos, dos Engenheiros etc. Percebi o entusiasmo dele em saber o tipo de influência musical que exerce nos fãs. Também falamos sobre rock britânico, que ele adora, principalmente de shows e rock anos 70.

Assunto delicado. Foi inevitável falarmos da saída dele dos Engenheiros e a repercussão negativa, ao menos em mim (pude falar do que eu senti), da saída dele e do som dos Engenheiros sem ele nas guitarras.

Falei a ele de um novo instrumento, cria de um amigo Luthier que faz as guitarras e violões. Elias Santana, meu Brother, Sergipano de Aracaju. O instrumento? Um violão de nove cordas: NOVIOLA.

Licks mostrou interesse nesse instrumento. Percebi, pelas ‘unhas afiadas,’ que está trabalhando com música. Não sei – e nem comentamos a respeito – de que estilo; se são curtas, trilhas, ou o quê. O guitarrista falou do Workshop, e enfatizou sua tristeza de como as coisas hoje são “repetições e pouco criativas” no mundo da música. Para mim, foi um dos melhores momentos da conversa com um Mestre das guitarras, além de ter um excelente gosto e entendimento sobre equipamentos e tecnologia. Licks falou também de New York como sendo uma cidade onde muito pesquisou sobre tecnologia e comprou equipamentos.

Encomendarei, em breve, uma NOVIOLA para o Augusto. Voltarei ao Rio para entregá-la em mãos. Quero tirar uma “palhinha” de um dos arranjos/solos dele na NOVIOLA antes. Será um sonho, mas isso é outra história.

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