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Não tinha preparado nada para postar no dia de hoje, dia do aniversário do Augusto Licks. Porém algumas raridades chegaram até as minhas maõs e não poderia deixar de publicá-las antes da meia-noite. O blog merece mudanças e melhorias. Nas pausas que a vida dá às vezes, há também pausas longas em cada coisa que gostaríamos de fazer e nem sempre damos conta de colocar em prática. Além de parabenizar e homenagear o Augusto quero agradecer aos comentários que estou vendo hoje. Não são poucos e isso é um sinal de que o guitarrista nunca será esquecido.  Como ele começou? De onde surgiu o interesse pela guitarra? Uma foto publicada no Facebook transformou-se em uma espécie de túnel do tempo. Ninguém melhor que o próprio Licks para contar tudo com detalhes.

Escola

Pelo que consta, essa foto foi publicada no Facebook de um senhor de Montenegro (RS), em que aparece a minha turma de 3º ano primário. Imagino a alegria dessas pessoas ao se reverem naquela tenra idade nessa imagem tão rara, gentilmente disponibilizada pelo Bira, com quem eu jogava futebol de mesa (botão) naquela época.

A nitidez é pouca mas dá pra identificar alguns e algumas, com mais oumenos certeza. Acho que é o próprio Bira a meu lado, o Aristeu logo atrás, o Sérgio Klunk segundo da fila de baixo, seria o Solon Shüller ao lado dele, e o Hamilton. E lá em cima o Róbson Jaegger, segundo. E as meninas, tão lindas, todas.

A professora era uma poetisa local, a D. Eunice, e naquele ano ela fez um trabalho admirável transformando aquela turma em um CTG mirim. Desfilamos “pilchados” na parada Farroupilha de 20 de setembro (eu, mesmo com toda timidez, era o “patrão”, ao lado da “primeira prenda”, a Celina Amélia, que aparece no centro da foto, de franja). Em um domingo de manhã nos apresentamos na TV Gaúcha num programa chamado “Parque Infantil”. Uma lembrança marcante para mim é que, nessa apresentação, enquanto fazíamos nossas danças folclóricas gaúchas, a avistei ao longe um grupo de músicos com uns objetos reluzentes e coloridos que, depois, soube serem guitarras elétricas.

Dessa foto, infelizmente, nem todos estão vivos. Bem no alto à direita, vestindo uma jaqueta de couro, a menos que a pouca nitidez da foto me engane, está o saudoso Luiz Fernando Gallas. Chamávamos um ao outro de “parente”, pois minha avó paterna tinha sobrenome Gallas.

Uns três ou quatro anos depois, já no Ginásio Industrial, basicamente com aquela mesma turma do primário, o Gallas atiçou minha curiosidade na aula de Marcenaria: estava construindo uma guitarra elétrica. Era maciça, lembro de segurá-la na oficina. Mesmo inacabada era bem pesada, a primeira guitarra que tive nas mãos. Eu, sem ter muito o que dizer, me limitava a admirar aquela brilhante idéia do colega, enquanto com um palito de fósforo tentava imitar o som de “Bonanza” no velho Giannini que meu pai deixava em casa pra quem se interessasse. Algum tempo depois, também no Industrial, pude ver de perto uma guitarra profissional, quando um dia outro colega, o José Roberto Klein, trouxe a que usava com o grupo-coral “Sing Out”, uma semi-acústica. Eu admirava o instrumento e a destreza do Zé mandando ver alguma do Creedence ou talvez a “Venus” do Shocking Blue. E eu pensava: isso que ele tá fazendo, são pestanas? Como é que ele consegue ?

Voltando àquele 3º ano primário, existia uma aula de música. Não lembro de ter aprendido muita coisa, mas só anos mais tarde fui percebendo que naquela aula eu tinha aprendido o mais importante de tudo: que música é uma coisa BOA, ao contrário do que se vê frequentemente em escolas que tentam impor conhecimento técnico, o que acaba por tirar da criança a alegria que a música pode proporcionar. A professora de música, Maria Ligia, com sua simpatia e doçura se assegurava de que não corressemos o risco de ter a música como um problema na vida. Anos depois em Porto Alegre, me tornei amigo das irmãs Mônica, Isabela e Débora, e, algum tempo depois, fiquei pasmo ao descobrir que eram nada menos do que filhas daquela doce professora de Música de Montenegro.

Abraços para todos e parabéns para o Augusto que é incrível no que faz.

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