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Republicando o texto de Fabricio Mazocco, jornalista, criador e moderador do blog Rock 80 Brasil, sobre encontro com Augusto Licks em 2012.

Primeiro quero pedir permissão: neste texto deixo de lado o meu “lado” jornalista. Escrevo em primeira pessoa, uso adjetivos, qualifico sem medo algum e me emociono (dizem que jornalistas são frios). Isso para falar do melhor guitarrista (senão, um dos melhores) que o Brasil teve e tem. Um guitarrista que fala de guitarra como ninguém, faz tese sobre futebol e quando o assunto é música, então nem se fala.
13h em ponto, em um lugar do Rio de Janeiro. No caixa da cafeteria o pagamento do café. Não tem como não reconhecer. Lá estava com uma xícara na mão o gênio Augusto Licks. Isso mesmo, aquele jornalista de Montenegro (RS) que participou do “Deu pra ti anos 70”, fez e faz trilha sonora para filme, para teatro, escreveu sobre futebol, foi guitarrista do Nei Lisboa, dos Engenheiros do Hawaii e mais um bocado de coisa.
Uma mesa nos aguardava. “Como vai?” Estamos ótimos, obrigado! Que tal começar do óbvio: guitarra. E dá-lhe aula, Augustinho. Não precisou muito para me convencer que fiz um dos melhores investimentos ao comprar uma Steinberger. E sabia que no solo do “Somos quem podemos ser” foi ligado um outro aparelho na guitarra? Que no “Piano bar” cada nota se junta com a seguinte e assim por diante? Então fique sabendo. E qual a maior dificuldade em tocar teclado e guitarra ao mesmo tempo nos shows? Não esbarrar um no outro! Risos. Um gole de café.
Falando em esbarrar, hora de falar de futebol. Sorte do Fluminense que levou o campeonato brasileiro. Azar do meu Palmeiras que foi para divisão de baixo. Quem sabe esses dois podem ter muito em comum. Espera um pouco, como um guitarrista pode saber tanto de futebol? Já o chamei de gênio antes?!
Voltamos para os mestres da guitarra: um falando dos demais. Steve vai? Vai. Isso mesmo. Certa vez perguntaram ao Licks se para ser um bom guitarrista seria necessário ser um Joe Satriani. “Claro que não”. Há uma diferença entre o impacto e o encanto. O impacto enjoa. O encanto emociona e aí é para toda vida. Dedos rápidos? Não necessariamente. Nota certa na hora certa. Infalível. Música emociona, palavras emocionam, estar com o melhor guitarrista do Brasil emociona.
A xícara esvaziou. Hora de nos despedirmos. Uma hora que valeu pela vida toda. São sonhos que se realizam, são notas tocadas na hora certa. Até breve, gênio!
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