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Fãs desvendavam pistas sobre o sumiço do guitarrista e questionavam o porquê da separação da banda

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Comunidades dedicadas a descobrir o paradeiro do guitarrista Augusto Licks

A primeira rede social a fazer sucesso no Brasil será oficialmente encerrada no dia 30 de setembro. Depois de perder espaço para o Facebook, as comunidades no Orkut que discutiam o paradeiro do ex- guitarrista e pediam a volta dos Engenheiros do Hawaii como trio estão próximas do fim.

Era um ambiente bastante hostil, com cara de poucos amigos, mas hospedava muitos fãs. Todos tentavam entender porque o guitarrista não voltava para a banda ou seguia em frente com uma carreira solo. Quem tem acesso pode contar: são sete comunidades dedicadas a Augusto Licks. Duas delas, Por onde anda Augusto Licks e Augusto Licks receberam o maior número de participantes e abrigaram discussões acaloradas.

Alguns fãs mais entusiasmados sonhavam com a volta da antiga formação. Isso seria possível desde que os três músicos deixassem suas diferenças e o orgulho de lado. Que esquecessem as brigas e unissem forças e instrumentos por um mundo melhor. Mesmo quem achava que era muita fantasia sempre comparava a possibilidade como a volta do Pink Floyd com Roger Waters. Um fiozinho de esperança todo mundo tinha.

Os membros tentaram criar um movimento em prol do retorno da antiga formação desfeita no final de 1993. Inconformados com a saída do guitarrista, cujo motivo nunca foi esclarecido, chamavam a banda não mais de Engenheiros do Hawaii mas de “GLM” ( iniciais dos sobrenomes “Gessinger, Licks e Maltz”). Esse empenho tinha como objetivo formar uma base popular para forçar um acordo entre os três. O movimento perdeu força e adeptos. Talvez nem tenham começado por não saber exatamente do que falavam.

Responder ao que a comunidade perguntava sem ser maltratado era impossível. Todas as informações eram rejeitadas e os que arriscavam fazê-lo eram achincalhados em quaisquer das tentativas. Ainda assim ninguém desistia.

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Na tentativa de tentar manter a ordem nas comunidades a atitude dos moderadores consistia em apagar os posts mais estúpidos. Alguns tópicos foram transformados numa conversa sem pé nem cabeça que mal podem ser compreendidos devido aos cortes.

Quando o guitarrista Chimbinha, da banda Calipso, disse num programa de televisão que havia comprado uma das guitarras de Augusto Licks, alguns membros não puderam suportar tamanha heresia.

guitarra do chimbinha

No vídeo que podemos assistir no You Tube, Chimbinha confirma que comprou sim “a guitarra do ex-guitarrista dos Engenheiros do Hawaii”. “O rapaz foi lá no estúdio eu gostei do som e comprei”, disse.

O motivo era nobre, mas os assuntos aleatórios eram frequentes nas comunidades. Tinha gente tentando vender contrabaixo, fitas VHS de shows antigos. Uns pedindo a troca da foto da comunidade por uma mais recente e menos embaçada. Outros abriam enquete para votar no melhor solo. Um dizia ter visto Augusto no show do Roger Waters.

Um tópico mais pesado investigava se Licks estava doente ou se era mais um boato. Uma garota perguntava se alguém estava interessado em participar do Fórum Social Mundial em Caracas. Por que não?!

Comparações de Augusto com o jornalista Marcelo Tas, ou com algum ‘menino de óculos da escola’ – como no tópico “Filho perdido de Licks”, eram muito mal recebidas. Nada de brincadeiras em local sagrado. Não eram permitidas piadas respondendo que sabiam do paradeiro de Licks como “Vi o cara ontem na padaria”. Estavam saturados com a falta de pistas.

Todas as variantes do sobrenome estavam por ali: Links, Lix, Lick e qualquer outra grafia que inventassem e parecesse boa.

lix

No final das contas o Orkut foi uma rede de intrigas que gerou muitas lendas. Até hoje muitos acreditam que Augusto realmente recusou participar do DVD acústico gravado quando já não era mais da banda. Não recusou e nem foi convidado. Todas as “brigas” que espalharam e ninguém chegou a ver – assim como “as trocas de acusação do Licks” publicadas em um blog – são fórmulas para denegrir a imagem do guitarrista que preferiu calar-se ao participar das baixarias. Quem lê, inocentemente acredita. A essa altura as informações conflitantes se propagaram de forma que não sabemos exatamente o que é verdade ou delírio. Tampouco poderemos afirmar se Chimbinha sabe que comprou gato por lebre. Pobre Chimbinha…

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