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O tal banner de que falei

Banner sobre a entrevista que nunca aconteceu

Escrevi no final de julho (o tempo passa depressa quando a gente tem filho bebê) na fanpage do Augusto Licks no Facebook que tentaria encaminhar algumas perguntas mais interessantes para o nosso querido guitarrista. Não fui clara o suficiente e pensaram que seria uma entrevista filmada para a televisão ou para uma revista sobre música.

Dias depois do comentário me deparo com um banner no Face dizendo que eu faria uma entrevista EXCLUSIVA (com letras maiúsculas mesmo). Quem me dera sair daqui de São Paulo voar para o Rio e ter a minha primeira conversa pessoal com Augusto. Podem acreditar, nossos contatos são por e-mail. Algumas vezes nos falamos por telefone e pessoalmente umas duas vezes para pegar autógrafo. Nosso primeiro contato foi por carta, quando eu escrevia sempre e ele quase nunca por falta de tempo.

Com as perguntas, queria que Augusto soubesse do carinho dos fãs. São mais de 20 anos fora da mídia, e ninguém separa os verdadeiros fãs do seu ídolo. Vejo que alguns são super jovens e sequer tiveram a oportunidade de assistir a um show. Assisti a mais de 25 – e ainda assim achei pouco. Minha ideia era levantar algumas questões interessantes e tentar fazer posts novos para o blog.

Esclarecido o desentendido, vamos seguir publicando aqui as respostas conforme a disponibilidade do guitarrista que é uma lenda do rock nacional mas não tem muito tempo. Augusto continua morando no Rio de Janeiro, onde vive com sua esposa Márcia e a filha Laura. Juro que mais sobre a vida pessoal fico devendo. Verdade, Augusto não fala de si próprio, exceto na rara declaração que fez para o meu blog. Para ele, qualquer pergunta merece não uma resposta qualquer mas um contexto, e isso daria um livro.

Vamos a primeira resposta que resume (bastante) duas das perguntas enviadas:

1-Como surgiu a idéia de promover um workshop sobre produção musical e tecnologia?

2- O ambiente da cidade de Montenegro -RS (cidade natal de Augusto Licks) exerceu alguma influência especial, própria, no direcionamento da tua carreira musical?

O workshop foi criado para responder de forma organizada às muitas perguntas sobre instrumentos e música em geral, além de passar noções úteis para músicos iniciantes. De uma só vez, Augusto pode conversar com grupos em torno de 30 pessoas, e toda a segunda parte era dedicada a responder perguntas. Nos últimos tempos ele não vinha aceitando propostas para o workshop porque é necessário estar três dias ausente do RJ, o que se tornou impossível com situações familiares do momento. Enquanto não recupera essa disponibilidade, a única chance é fazer no Rio. Era intenção do Augusto levar o workshop a Montenegro, sua cidade e espécie de impressão digital no tipo de musicalidade que desenvolveu ao longo dos anos. Cerca de uns dois anos, alunos de um colégio de Montenegro quiseram convidá-lo para uma homenagem, mas não conseguiram concretizar a ideia.

As respostas serão publicadas sempre que Augusto me mandar alguma. O mais importante é que todos saibam que Augusto recebeu as perguntas e fica feliz em saber do carinho de todos. Se um dia vocês tiverem a sorte de encontrá-lo pessoalmente, como muitos já tiveram, ele nunca se negará a conversar com fãs, e isso nunca mudou. Nos tempos da banda era super receptivo. Como já disse, ele chegou a me mandar cartas e sei que não fui a única. Me ligou quando completei 16 anos para me dar parabéns. Juro que quase morri do coração. Isso já faz tanto tempo e nunca esqueço da educação daquele cara tão certinho. Sempre vestindo a mesma combinação de camisa social branca e calça preta. Super míope, nunca tirava os óculos. Para o meu desespero fumava um cigarro atrás do outro. Eu tossia na primeira fila, colada na grade, esmagada pelos milhares que estava atrás. Pensando bem nunca mais fiz questão de ver um show tão de perto como era com os Engenheiros do Hawaii. Hoje só faria isso para David Bowie, Mike Patton e se ainda cantasse bem, Bob Dylan. Para fazer um sacrifício desses, chegar de manhã para assistir um show de noite, e ficar horas em pé, só mesmo para ver quem sabe fazer um show decente. Lembro de muita gente de boca aberta assistindo Augusto nos Engenheiros do Hawaii. Os caras que tocavam guitarra ficam exclamando alguns palavrões. Acho que os palavrões são super bons na sua hora certa e lugar. Augusto solando em Infinita Highway faltando quatro cordas, até para mim que sou totalmente leiga, era no mínimo sensacional. Não sei tocar guitarra, mas de uma coisa eu sei, Augusto Licks sabe.

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